A gastronomia exótica da Ilha de Marajó | Rumo Norte Expedições

A gastronomia exótica da Ilha de Marajó

A Ilha de Marajó tem uma grande importância para a culinária paraense. Sua reconhecida biodiversidade e condições físico-geográficas propícias para a produção do pescado (inclusive o caranguejo), impôs uma relação intima, por exemplo, entre a Ilha e o Mercado do Ver-o-Peso, em Belém, mas não para por aí.

Durante o período colonial, ou seja, entre o período de ocupação portuguesa na Amazônia em 1616, até meados da independência brasileira, aderida pelo Pará em 1823, a região do Marajó revelou-se de grande importância para a economia regional, como fonte de alimentos e reserva de biodiversidade da fauna aquática. Nessa época, a região fazia parte dos Pesqueiros Reais, regiões de pesca administradas pela Fazenda Real e/ou por Missões Religiosas.

Devido a esse contexto histórico, ao longo da costa foram surgindo comunidades que se estabeleceram economicamente com base na pesca e a partir daí os hábitos alimentares foram sendo desenvolvidos com base nos peixes.

Marajó é fortemente influenciada pelo regime das marés e das chuvas. Se transfigura completamente nas duas estações do ano: a das chuvas, de janeiro a junho, e a da estiagem, de julho a dezembro.  Quem a conhecer numa só delas, terá uma imagem tão verdadeira quanto parcial. Por esse motivo a Ilha produz peixes tanto de água doce, quanto de água salgada, em algumas épocas do ano. O peixe filhote, de água doce, que pode chegar a 70 kg, é o mais famoso e é considerado um peixe nobre nessa região.

Turu

À esquerda uma colônia de turus. À direita os turus após retirados do tronco da árvore.

Dos manguezais saem os caranguejos, os maiores da costa paraense, e um molusco que tem se tornado nos últimos anos uma iguaria bastante apreciada pelos cozinheiros locais é, certamente, o personagem mais exótico deste cenário. O Turu (Teredo navalis) é um molusco bivalve da classe das Ostras, apresenta aspecto vermiforme semelhante a uma minhoca branca gigante, tendo numa das extremidades valvas com sulcos providos de dentes, os quais são utilizados para abrir galerias em madeiras submersas, formando ali as suas colónias

Os ameríndios antes da chegada dos europeus, já apreciavam o turú, como relatado nos escritos do Padre João Daniel (1722–1776), padre Jesuíta preso junto com outros jesuítas expulsos do Brasil, em seu livro “Tesouro descoberto no máximo Rio Amazonas”, uma das mais abrangentes e mais importantes fontes do conhecimento da Amazônia do século XVIII. Consta o seguinte relato:

“Turu é a peste das embarcações do Amazonas, ainda que não é só do Amazonas. É semelhante à minhoca, e propriamente é minhoca da água, é branca, mui delgada, e tão mole, e flexível, como uma tripa delgada; e faz admirar como um tão desprezível bichinho tenha tanta força, e atividade que roa, passe, e fure as embarcações, e qualquer madeiro, pondo-o como um crivo! (…) serem bichos tão desprezíveis, e os índios do Amazonas tão nojentos, fazem dessas minhocas, ou lombrigas, pratinhos de muita estimação, e apreço, e ainda muitos brancos; para o que vão nas vazantes pelas praias de lodo, abrem os paus podres, de que estão cheios os rios, e em breve espaço de tempo enchem pratos, ou cuias, que levam para casa, guisam, e se regalam.”

Linguini de molusco do mangue

Linguini de molusco do mangue, do restaurante do Hotel Casarão Amazônia.

Em resumo, a maioria dos restaurantes da cidade servem no seu cardápio a tal “sopa de turú”, mas em alguns restaurantes, como o do Hotel Casarão da Amazônia, o turú, rico em cálcio e ferro, cujo sabor é descrito como semelhante ao de mariscos como as ostras, ganha uma forma mais gurmetizada e recebe o nome no cardápio de “linguini de molusco do mangue”.

Para os apreciadores da gastronomia e os corajosos que desejarem experimentá-lo “in natura”, a Rumo Norte Expedições proporciona uma experiência em que você coleta o turú junto com o morador da comunidade, experimenta “in natura” e em seguida vai pra cozinha comunitária de “Master Chef” prepara-lo na forma de ceviche, no leite de coco, ou ainda na tradicional sopa!

Eu devo confessar que aprecio o Turú de diversas formas, mas, e você, vai experimentar? :-)

 

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